Atividade

  • LGBTQIAP+ Espírita publicou uma atualização 1 semana, 1 dia atrás

    Evolução em dois mundos: A pessoa Trans no plano espiritual

    Olá pessoas, como vão?

    Escrever sobre espiritualidade é sempre uma responsabilidade muito grande porque mexe com um campo super delicado que é o interior das pessoas. No que se refere ao público LGBTQIAP+ o sentimento de responsabilidade quanto ao que posta é um pouco maior porque trabalha-se a superação das situações de preconceito e homotransfobias, em curso para a declinação em nossas sociedades, regenerando as relações das pessoas LGBTQIAP+ consigo mesmas e as relações da sociedade geral com o público LGBTQIAP+ (‘nóis’ rsrsrsrs).

    Esta postagem passou por longa reflexão, para acertar na interpretação que desejava trazer ao público trans. Certamente fica no ar a pergunta: o espiritismo traz grandes esclarecimentos sobre tantos temas, o que encontramos na literatura que seja favorável a uma postura libertária das pessoas para consigo mesmas? E tudo o que vamos encontrando neste sentido – promover o bem estar espiritual, que conduz o bem estar em todas as demais instâncias do ser humano – vamos compilando e publicando.

    Antes de falar sobre a identidade da pessoa trans no plano espiritual, coube falar sobre planejamento reencarnatório. Como temos estudado, e a leitura mais recente do livro Evolução em Dois Mundos só confirma, a reencarnação é um processo natural da vida dos espíritos, que começou lá no princípio evolutivo, quando a inteligência começou os primeiros contatos com o mundo material, de onde tiraria os aprendizados e experiências necessários para o seu desenvolvimento, que deve ser construído por ele mesmo, a partir da experimentação.

    No planejamento reencarnatório todos os espíritos fazem o seu projeto de vida, por assim dizer, traçando para si tudo, tudo o que precisam experimentar na nova encarnação para evoluir, para crescer em inteligência, sensibilidade. Tudo, absolutamente tudo na Terra são recursos pedagógicos estabelecidos pelos espíritos em seus projetos reencarnatórios, de acordo com objetivos e necessidades específicas, individuais, em que cada caso é um caso, uma particularidade complexa.

    Você pergunta: Então, nessa linha de raciocínio a partir do saber espírita, o espírito trans escolheu ser trans? Sim, analisando segundo o saber espírita, antes de retornar ao mundo físico, em seu planejamento reencarnatório, escolheu ser pessoa trans, porque isso atendia a uma necessidade evolutiva percebida por sua inteligência. Qual necessidade? Não se sabe, era uma necessidade sua, uma particularidade, individual, como todas as demais necessidades de quaisquer outros espíritos; como os que escolhem ser cisgêneros, por exemplo.

    Por isso, atualmente, a partir da expansão deste conhecimento, tem-se a necessidade do trabalho prol alteridade. O consenso atual estabelece que as diferenças não podem se massacrar porque todas atendem a necessidades particulares. Os cismas precisam ser dissolvidos para que cada ser em evolução tenha garantido o seu espaço de expressão, de influência e de contribuição para com a humanidade encarnada.

    Agora, encerrada a consideração sobre o planejamento reencarnatório, falemos sobre a identidade da pessoas trans no plano espiritual, seja antes de reencarnar, seja depois do desencarne. A fonte de pesquisa é o livro Evolução em Dois Mundos, psicografia de Chico Xavier e Waldo Vieira, e nos dá conta de que a pessoa trans possui, no plano espiritual, a identidade, a imagem e o corpo que corresponde ao seu mundo psíquico. É nesta linha de raciocínio que Andrei Moreira, no livro Transexualidades sob a ótica do espírito imortal pode afirmar, categoricamente em defesa da pessoa trans, que a redesignação sexual, nas pessoas trans que sentem necessidade desta realização – nem todas as pessoas trans sentem – não “deforma/altera” o corpo espiritual.

    Vejamos o texto:

    LINHAS MORFOLÓGICAS DOS DESENCARNADOS – A forma individual em si obedece ao reflexo mental dominante, notadamente no que se reporta ao sexo, mantendo-se a criatura com os distintivos psicossomáticos de homem ou de mulher, segundo a vida íntima, através da qual se mostra com qualidades espirituais acentuadamente ativas ou passivas. Fácil observar, assim, que a desencarnação libera todos os Espíritos de feição masculina ou feminina que estejam na reencarnação em condição inversiva atendendo a provação necessária ou a tarefa específica porquanto, fora do arcabouço físico, a mente se exterioriza no veículo espiritual com admirável precisão de controle espontâneo sobre as células sutis que o constituem (XAVIER, VIEIRA; P.165)

    Outro trecho do mesmo livro diz da conclusão evolutiva das identidades sexuais, em que todas, espontaneamente, se transfiguram em um estado não polarizado (masculino ou feminino), ainda desconhecido dos espíritos que se comunicam com a humanidade encarnada através de psicografias, por se tratar das particularidades da vida dos espíritos quando atingem o nível em que são chamados de anjos, vejamos:

    DIFERENCIAÇÃO DOS SEXOS – – Como se iniciou a diferenciação dos sexos? – Os princípios espirituais, nos primórdios da organização planetária, traziam, na constituição que lhes era própria, a condição que poderemos nomear por “teor de força”, expressando qualidades predominantes ativas ou passivas. E entendendo-se que a evolução é sempre sustentada pelas Inteligências Superiores, em movimentação ascendente, desde as primeiras horas da reprodução sexuada começou, sob a direção delas, a formação dos órgãos masculinos e femininos que culminaram morfologicamente nas províncias genésicas do homem e da mulher da atualidade.

    Não podemos esquecer, porém, que o trabalho evolutivo no aperfeiçoamento fisiológico das criaturas terrestres ainda não foi terminado, prosseguindo, como é natural, no espaço e no tempo. Quanto à perda dos característicos sexuais, estamos informados de que ocorrerá, espontaneamente, quando as almas humanas tiverem assimilado todas as experiências necessárias à própria sublimação, rumando, após milênios de burilamento, para a situação angélica, em que o indivíduo deterá todas as qualidades nobres inerentes à masculinidade e à feminilidade, refletindo em si, nos degraus avançados da perfeição, a glória divina do Criador. É imperioso reconhecer, contudo, que não podemos, ainda, em nossa posição evolutiva, formular qualquer pensamento concreto acerca da natureza e dos atributos dos Anjos, nem ajuizar quanto ao sistema de relações que cultivam entre si. Pedro Leopoldo, 1/6/58 (XAVIER, VIEIRA; P. 181).

    Então, esperamos que esta postagem seja válida para as pessoas trans que buscam no estudo espírita conhecimento a respeito de si, da vida, da existência e da transcendência metafísica – como fazemos todes que adentramos qualquer sistema/filosofia/religião.

    Obs: tivemos receio que a postagem se tornasse uma motivação ao suicídio, caso acessadas por pessoas LGBTQIAP+ com esta ideação, uma vez que afirma retorno, no desencarne, a estado correspondente ao psíquico. Relembramos assim, que, também segundo a literatura espírita, o suicídio gera danos ao corpo espiritual como um todo, cuja recuperação, sempre através das novas encarnações, é delicada e demorada, atrasando o processo evolutivo, gerando grandes sofrimentos ao espírito.

    Assim, pessoa trans, foco em seu projeto de vida e viva la vida na certeza de que as pessoas colaboradoras do Plano Espiritual, chamado comumente de Espiritualidade Maior, tá de olho em nós, no sentido de corresponder a nossos melhores esforços no caminho da busca por nossa melhor versão.

    Referência

    XAVIER, Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo. Evolução em dois mundos. 10º livro da Coleção “A Vida no Mundo Espiritual”. Ditado pelo Espírito André Luiz. Federação Espírita Brasileira. Disponível em: . acesso em 2021.