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  • LGBTQIA+ Espírita publicou uma atualização 2 meses, 2 semanas atrás

    PÍLULAS DE LIBERTAÇÃO (2)

    Oioi pessoas!!

    Textos intitulados Pílulas de alguma coisa são textos curtos que trazem informações básicas e objetivas sobre determinado tema.

    Aqui no Blog, pensamos em reunir, sob o título pílulas de libertação, recortes de textos espíritas que vamos encontrando em nossos estudos, que colaboram para uma reflexão que seja libertária de nossas consciências sobre diversos assuntos, tais como tabus, movimentos sociais, liberdade de ação e expressão frente ao espaço religioso convencional (inclusive espírita, quando se trata de espaços tradicionalistas e fechados, que ainda temos muito), transformações sociais, progresso individual e coletivo e diversos outros…

    O primeiro texto desta série retiramos do livro ‘O Ser Consciente’, ditado pelo espírito Joanna de Ângelis, que chegou a nós na década de 90, através de psicografia ao médium Divaldo Pereira Franco.

    ” Psicoterapeuta superior, Jesus não foi apenas o filósofo e o psicólogo que compreendeu os problemas humanos e ensejou conteúdos libertadores, mas permanece como terapeuta que rompeu as barreiras da personalidade dos pacientes e penetrou-lhes a consciência de onde arrancou a culpa, a fim de proporcionar a catarse salvadora e a recomposição da individualidade aturdida, quando não em total infelicidade.

    Possuidor de transcendente capacidade de penetração nos arquivos do inconsciente individual e coletivo, Ele tornou-se o marco mais importante da psicologia transpessoal, por adotar a postura mediante a qual considera o indivíduo um ser essencialmente espiritual, em transitória existência física, que faz parte do seu programa de autoburilamento.

    Conscientizando as criaturas a respeito da sua responsabilidade pessoal diante da vida, estabeleceu terapias de invulgar atualidade, trabalhando a estruturação da personalidade, com o passo de segurança para a aquisição da consciência.

    No postulado não fazer ao próximo o que não deseja que ele lhe faça, estatuiu a condição de segurança para a identificação do indivíduo consigo mesmo, com o seu irmão e com o mundo no qual se encontra, proporcionando uma ética simples e facilmente aplicável, no inter-relacionamento pessoal, sem conflito nem culpa.

    Da mesma forma, propondo o autoaperfeiçoamento pela superação das paixões dissolventes (ódio, egoísmo, ira – grifo nosso, para que não se confunda o termo paixões com analogias de cunho moralista que não tem nada a ver com o contexto, mas não raro são desta forma interpretados e repassados), trouxe o futuro para o presente, tornando o reino dos céus um estado de consciência lúcida, longe do sono, do sonho e das psicoses totalmente superadas.

    O Cristianismo, no entanto, através dos tempos, sofrendo as injunções dos pseudoconversos, invariavelmente portadores de grandes traumas e conflitos, procurou castrar e coibir todas as fontes de prazer, as expressões existenciais, mediante regras e dogmas punitivos, que se caracterizaram pela repressão, restrição e condenação.

    Não obstante os luminares que, de vez em quando, buscaram libertar os indivíduos do temor e do ódio, levando-os à confiança e ao amor, quais São Francisco de Assis, Santa Tereza de Ávila e alguns outros, predominaram a ignorância e o terror, produzindo uma consciência de culpa coletiva, verdadeiro arquétipo de natureza punitiva, que venceu as gerações e ressurge, ainda hoje, nos indivíduos e grupamentos sociais, fazendo-os responsáveis pelo deicídio no Calvário — confundindo Jesus com Deus — ou, mais remotamente, com a herança da tentação, em que Eva tombou, levando Adão ao erro, assim tornando a mulher inferior no processo humano da evolução, em flagrante desrespeito ao simbolismo da criação humana, que passou à condição de realidade.

    O culto ao mito, ao símbolo, ao fantasioso, à aceitação do modelo, são necessidades psicológicas, para os mecanismos de transferência da realidade e fugas da consciência responsável. Assumindo a postura teológica, responde por males que se repetem milenarmente, possibilitando alienações e desditas inimagináveis.

    A evolução das ciências vem logrando anular esse efeito pernicioso, e, graças ao advento da psicologia espírita com Allan Kardec, recupera-se o ser humano do conflito em que se encontrava, promovendo-o à condição de possuidor de valores preciosos que lhe cumpre desenvolver, embora a esforço de trabalho paciente e constante.” (p. 07).

    Entendimento: Uma coisa é a mensagem do Cristo e outra coisa é o que as pessoas fizeram dela ao longo dos séculos. Textos simbólicos foram interpretados ao pé da letra, de maneira literal, segundo a conveniência de autoridades de épocas remotas, e repassados à posteridade sob interpretações punitivistas, castradoras e destituídas das possibilidades de prazer, alegria, transcendência e libertação que caracterizava o discurso inicial, ou diga-se, original, do próprio Cristo. Ideias estas que acabam por relegar à marginalização os agrupamentos humanos hoje chamados minorias e outro, que, apesar de ser a maioria em números, é ainda minoria no acesso a direitos, poderes e representatividade: as mulheres.

    Realidades que, na atualidade, vem sendo questionadas, revistas, relidas, provocando intervenções através da criação de legislações específicas que versam sobre cada conquista dos mais variados grupos, à luz das ciências ‘comuns’ de nosso século e da ciência espírita, sendo esta última aberta a analisar, valorizar e legitimar os avanços e conquistas dos diversos grupos sociais.

    Referência

    ÂNGELIS, Espírito Joana de. FRANCO, Divaldo Pereira, médium. O Ser Consciente, 1993. Disponível em:. acesso em jan 2021