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  • LGBTQIA+ Espírita publicou uma atualização 2 meses, 2 semanas atrás

    DIA DA VISIBILIDADE TRANS: FALEMOS DE ALTERIDADE

    Ontem, 29 de janeiro, foi o Dia Nacional da Visibilidade Trans, criado no ano de 2004 pelo Ministério da saúde, após a divulgação da Campanha Travesti e Respeito, em reconhecimento à dignidade desta população.

    Nesta data não podemos estar alheios ao fato de que o Brasil é o país que mais mata pessoas travestis e transexuais.

    Não podemos nos permitir pensamentos e conceitos que legitimem a violência contra qualquer segmento populacional.

    Não raro vejo as leis de causa e efeito e as afirmações sobre carmas, ‘pagamentos de dívidas passadas’ serem utilizadas na interpretação das mais variadas situações indignas ou violentas do cotidiano e isso me é preocupante.

    A interpretação de nossa literatura espírita jamais deve deixar brechas para entendimentos que legitimem a violência, o não ter dignidade, afinal de contas temos, acima de qualquer outro foco interpretativo, o do dever de amorosidade e de alteridade para com todas as diferenças, com a obrigação moral de contribuir naquilo que os nossos recursos materiais e intelectuais oferecer possibilidades.

    A legitimação das violências através da interpretação errônea de textos espíritas traz outra consequência preocupante: a inércia, a aceitação acrítica diante de fatos do cotidiano que cabe sim a cada pessoa questionar e gerir. Quando legitimamos os fatos nada fazemos e esperamos que a ‘providência’ providencie os rumos que as coisas devem tomar, sendo que, o que a própria espiritualidade espera e nos ensina, é que sejamos capazes de gerir a nossas próprias vidas, individual e coletivamente, por isso nos orienta… para que construamos a sociedade regenerada que devemos alcançar, com respeito a cada ser que a compõe, promovendo-os, respeitando-os em suas diferenças, uma vez que a existência é plural.

    Alteridade é uma palavra nova para a grande maioria das pessoas que não frequentaram os bancos de uma universidade (e para a esmagadora maioria dos que frequentaram), mas cada vez mais aparece em nossos discursos, e, como informa os escritos de Andrei Moreira, nas psicografias sobre inclusão e reconhecimento da dignidade das diferenças sexuais e de gênero.

    Por esse motivo utilizamos datas como a de ontem, 29 de janeiro, para lembrar o nosso papel, enquanto LGBTQIA+ espíritas (e de não espíritas também, essa preocupação é humana), de promoção do respeito e acolhimento da diversidade como ela é, sem querer enquadrá-la a padrões, e popularização do termo alteridade quanto ao tema.

    O recurso que nós, de cá, podemos utilizar é este, a nossa intelectualidade, o saber manipular as ferramentas em multimídia para escrever, criar imagens, áudios, para levar as demais pessoas a esta reflexão.

    E você, que recursos possui para colaborar com este debate e com ações prol alteridade no quesito diversidade sexual e de gênero?