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  • LGBTQIA+ Espírita publicou uma atualização 2 meses, 1 semana atrás

    Por que estudarmos Joana de Ângelis

    Todos os Espíritos autores se posicionam através de seus médiuns com a intenção de colaborar para o crescimento, para a evolução, para a ampliação do conhecimento de pessoas encarnadas sobre a realidade além matéria, ou, sob a perspectiva nossa, encarnades, realidade pós matéria. Estes espíritos denominam exatamente desta forma os seus escritos: ‘contribuições’.

    Os espíritos que promoveram os primeiros fenômenos mediúnicos que originaram o espiritismo (formal) na França do século XIX, bem como aqueles que ditaram os textos da Codificação a Kardec, tinham a intenção inicial de apresentar à humanidade encarnada, de forma racional e compreensível, a presença desta outra realidade a cercar o mundo material.

    Pós Codificação o trabalho de comunicação racional entre encarnades e desencarnades permaneceu e, no Brasil, tivemos a colaboração dos e das médiuns, que trouxeram colaborações de seus mentores e mentoras espirituais, tanto em forma de obras únicas como em forma de coleções, que foram construídas ao longo de anos de trabalho mediúnico e social.

    Frisamos os termos ‘comunicação racional’ para deixar claro que o contato do mundo material com o mundo espiritual não é algo novo, é tão velho quanto a humanidade na Terra, mas essa relação se encontrava envolta por misticismo, superstição, dominação e medo. O saber a partir dos estudos e da comunicação lógica abriu um novo tempo para a racionalidade sobre ‘coisas espirituais’.

    Assim, temos as coleções de Emmanuel, de André Luiz e de Joana de Ângelis. Contribuições que chegaram até nós pelas mãos dos médiuns Chico Xavier e Divaldo Franco. Encaixando estas contribuições na temporalidade, primeiro vieram os escritos de Emmanuel, logo em seguida e convivendo com a escrita de Emmanuel, chegou André Luiz e, mais recentemente no recorte temporal, chegou Joana de Ângelis.

    Observamos que as primeiras coleções, Emmanuel e André Luiz possuem o propósito de ampliar ao nosso entendimento as relações enquanto espíritos no além túmulo. Emmanuel focando nas alegrias, tristezas e desafios do espírito desencarnado frente ao defrontar-se com a realidade espiritual, analisando os seus ganhos e perdas, segundo as escolhas quando encarnado ou desencarnado, apontando caminhos, comportamentos, orientações (segundo o seu entendimento pessoal) para que a pessoa alcance patamares cada vez mais elevados de espiritualidade.

    A coleção André Luiz é bastante espacial, ou seja, a pessoa que lê consegue visualizar as relações no mundo espiritual sob a perspectiva de um espaço fixado no tempo. André Luiz traz o trabalho das instituições presentes no plano espiritual, a rotina de espíritos que nelas atuam, o público espiritual e encarnado a que atendem. Conta sobre a vida e a vivência dos espíritos, seus trabalhos, seus dramas e alegrias pessoais, situando-nos sobre um ‘onde’ as coisas acontecem.

    Percebemos que, após desvelados os ambientes e o que neles acontecem, nos chega a contribuição de Joana de Ângelis. Esta com o olhar voltado para nós enquanto espíritos encarnados em sí, trabalhando a nossa psiqué de pessoa inserida em um mundo em transição, para que consigamos fazer a transposição de nossa mentalidade material para uma mentalidade espiritual, transcendente, plena e feliz. Vejamos que a mensagem de Joana está centrada no Self (Ser) e as palavras que muito se repetem em seus escritos são transcendência e plenitude.

    Joana busca chamar a nossa atenção para o fato de que a ‘felicidade’ depende unicamente de nós, tanto enquanto indivíduos como enquanto coletividade. Não somos marionetes, seres passivos, dominados e controlados por um Deus e uma espiritualidade tiranas, somos seres pensantes e ‘agintes’ (se me permitem um neologismo rsrs) que, conscientizando-nos de nossa realidade espiritual e de nossa transcendência, somos capazes de agir segundo valores que venham a promover a nossa plenitude, vencendo as atitudes morais inferiores, quais sejam: “aquelas herdadas das experiências primárias do processo evolutivo, tais a inveja, o ciúme, a malquerença, a perversidade, a insatisfação, o medo, a raiva, a ira, o ódio, etc” (ANGELIS, 1998, p.150), transformando a nós mesmes, as nossas relações sociais e o meio em que tecemos as nossas vivências cotidianas.

    É uma escrita que dialoga com a nossa mentalidade de seres ainda conservadores, mas em busca de romper com os atavismos (tabus), sem romper com valores fundamentais que nos edificam, como o preocupar-se com o bem estar do outro nas relações que estabelecemos, lembrando-nos de aplicar a máxima da amorosidade cristã: fazer ao outro o que gostaria que o outro lhe fizesse.

    A mensagem de Joana de Ângelis, sua série psicológica em especial, não deve ser interpretada de maneira simplista, como se fossem simples manuais de auto ajuda, mas trata-se de uma escrita densa, dialogada com um ramo da ciência Psi de nosso tempo, e o seu objetivo é, a nosso ver, dos mais elevados para a nossa evolução em um mundo em transição, por tratar da análise de nossa essência, o espírito encarnado que somos e nossa realidade de seres destinados à plenitude; e esta plenitude deve ser construída por este próprio Self (nós mesmes).

    Referência

    ANGELIS, Joana de (Espírito). FRANCO, Divaldo Pereira (Médium). Amor, imbatível Amor, 1998. Disponível em acesso em set. 2020